NÃO SEI

Não sei se nasceste
para o que é excessivo.
Excedes o caminho
das horas,
alargas desmesuradamente
as palavras.
De que são feitas
as tuas noites?
Tão longas como as minhas…
ou tão ténues e breves
que não se chamam noites
e, quem sabe, tenham
perdido o significado e o leito…
Intervalos serão entre
o luar e o sol nascente,
momentos longos e brancos
como densas brumas
para te perderes?
Não sei se encontraste
as tuas estrelas…
Não sei se respiras paredes-meias
com o esquecimento e a solidão como
te ignoras, te escondes?
Talvez no final dos dias,
sem ventos, entre a liquidez dos olhares
me reencontres e digas
porque não te debruçaste
na janela para sentires o corpo,
porque não encontraste
a voz, a luz, o fruto
entre tantas palavras sem sabor…

5521-LILIA TAVARES

Óleo s/ tela, por ©Michael and Inessa Garmash (Ucrânia)

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4 pensamentos sobre “NÃO SEI

  1. Um poema muito belo que me leva pelo caminho mais largo do pensamento até às noites que foram minhas e onde procurei as minhas estrelas e fiz delas o fascínio das palavras…
    Um beijo, Lília.

    Gostar

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