FUSÃO CREPUSCULAR

Aqui onde fico
-Viva onomatopeia-
Há mais do que o silêncio de
Um grito agudo
Que rasga o peito
E corta a tarde agora sufocada.
Quando no crepúsculo
Amadurece o dia
Busco no horizonte
O corpo celeste como um fruto
Tardio.
É o sol que adormece
Num adeus breve
De céu cada vez mais vermelho.
Cores suportam o sol que desliza
Na abóbada que segura a tarde
De um poema líquido.
Líquida também eu fico
A transbordar por fora a
Minha canção salgada.
O dia cedeu agora à noite:
Nos outros a monotonia parece igual.
Para mim, o sol morreu até nova manhã
A sombra cobriu tudo ao redor.
Fresca. No poente de solidão,
Um sol de velas rápidas.

(27-05-1978)

*

Lília da Silva, actualmente, Lília Tavares

5605-LILIA TAVARES[3]

Tela de © Jeanie Tomanek

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8 pensamentos sobre “FUSÃO CREPUSCULAR

  1. O poente a anteceder a noite a parecer a sombra de um pássaro e a rasgar as margens do silêncio…
    Muito belo, Lília!
    Uma boa semana.
    Um beijo, minha Amiga.

    Gostar

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