CAMINHO

Caminho
E os meus passos ouvem o chão
Caminho largo,
Chão e
Álcool verde de árvores.

.

A copa verde aliás
Cobre o omnipotente sol
E vultos há sem paradeiro
E sombras.

.

Encosto o ouvido à terra
E oiço variações
Como bagos de uvas
Que espremo.

.

Há um lençol de folhagem
Vivo e seco
E há um sino que oiço
Em cada pedra atenta.
Surgem troncos
Cortados por machados que não vejo
E cortam-me o caminho.

.

Frémitos.
O vento limpa o ultimo
Orvalho líquido
E, entre duas árvores,
A imagem dum abraço que se aperta.

.

Luz que parece encadear
O ritmo desta serenidade a assolar-me
A alma e eu quero a
Poluição para vestir
Negra para ter de provar
Agora a ausência convertida
Em terra.

(21-11-1976)

*
Lília da Silva, actualmente, Lília Tavares
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Óleo s/ tela, de ©Sérgio Ribeiro (Galiza, Espanha)    

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