«Eu sei que não se ama sozinho»

Há muito que revelo o meu apoio a Salvador Sobral, não só como concorrente português ao festival, mas sobretudo enquanto representante de uma camada de jovens músicos  que não se pautam pelos cânones estereotipados e rígidos  da ‘fórmula’  que os levaria a ser ‘artistas  reconhecidos’. Antes não se envergonham do amor, do gosto e da entrega com que se expressam e cantam.

É de surpreender o rápido, numeroso e sonoro apoio que Salvador Sobral suscitou nos portugueses de todas as idades. É um jovem raro, talentoso, sensível, espontâneo, culto e de uma imensa profundidade.
Com uma aparente ingenuidade que cativa, Salvador não teme levantar o véu da sua essência. É um jovem de causas, fomentador do bem. Li de uma amiga que ele é um ‘menino-poema’. Concordo e subscrevo esta adjectivação.

Não me parece que me venha a desapontar sendo vaidoso, arrogante e inadequado. O que temo é o embate corrosivo de invejas que proliferam neste mundo-cão das artes e da música (e não só), de ‘pseudo-estrelas’  de pouca qualidade,  preguiçosos,  ‘salvos’ pelo aparato cénico e pela muita maquilhagem.
Salvador pode tornar-se presa ‘fácil’ de abutres que o queiram pisar e enxovalhar, mas tem ao seu lado e do seu lado a mana, uma jovem mulher que sabe onde repousar a sua cabeça. Luísa tem a seu favor um maior traquejo para lidar com a frustração. Salvador é essência em estado puro. Tem a generosidade congénita dos poetas e amor a mais num coração de pássaro.

Que o teu voo seja leve e suave como a tua presença que tece fios numa teia que nos faz sentir orgulhosos, mais fortes e felizes enquanto povo.

«Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois»

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